Escrevo essas singelas linhas nas entranhas de um pássaro de aço, riscando o céu rumo ao planalto central deste imenso Brasil. Absorto no romper da aurora do dia 20/08/2025, curiosamente “Dia do Maçom”, surpreendo-me em meio a devaneios sobre a evolução, a busca pelo autoconhecimento e as consequências do despertar, pois, a partir do momento em que ingressamos na senda existencial deste plano, nossa missão deve ser buscar a perfeição — ideal hipotético e inalcançável nesta única jornada.
O caminho da expansão da consciência e, consequentemente, do autoconhecimento, é árduo e difícil de ser trilhado. Ele exige determinação, persistência e, acima de tudo, coragem para o autoenfrentamento.
O autoconhecimento exige trabalho perene e constante cuidado com aquilo que foi expurgado, pois os vícios são como ervas daninhas que insistem em brotar no jardim. Basta o menor descuido do fiel jardineiro.
O peregrino, ao caminhar, deve buscar os recôncavos do seu íntimo — lugar onde ninguém pode acessar além dele mesmo — e lá ouvir os ecos que retumbam. Quanto maiores forem os barulhos, maior será o caos e imensos serão os desafios.
Poucos são aqueles que possuem coragem para o autoenfrentamento, numa longa e dura luta, sobrepujando-se dia após dia, até que o primeiro degrau rumo à sabedoria seja alcançado. Lá, será você contra você mesmo — e um não deve sobreviver. Você deverá decidir qual versão sua deverá sobreviver e seguir a jornada.
Advirto, contudo, que, quanto mais degraus subir, menos pessoas caminharão consigo. Não raro, sentirás o distanciamento daqueles que outrora estavam ao seu lado, festejando tudo e todos a cada encontro, afinal, partilhavam valores e desejos comuns.
Não pense que não gostam mais de ti, assim como não teimes em olhar para trás (lembre-se de Sodoma e Gomorra e da esposa de Ló). Compreenda: seu novo padrão de consciência não mais vibrará na mesma sintonia de antes. Logo, simbolicamente, são pedras que não mais se ajustam ao projeto do seu templo.
Perceberás que aquilo que lhe aprazia não mais lhe apresentará os sabores de outrora. Sua alma ansiará por mais — cada vez mais — naquilo que a Arte Real nos ensina: buscai continuamente a luz.
A consciência que se expande jamais retorna ao estado anterior. O retorno ao status quo implicará dor e sofrimento. Por outro lado, seguir em frente trará solitude e distanciamento daquilo que ofusca e turva a visão sobre quem sois e sobre seu verdadeiro propósito.
A maioria das pessoas não consegue suportar seu fardo existencial e segue a jornada entorpecida pelos prazeres efêmeros, buscando manter-se na zona de conforto. Seguem como o sapo na panela com água levada ao fogo — quando der por si, não reunirá forças para mudar o curso.
Quanto mais degraus subir, mais a luz resplandecerá. Cabe-nos compreender que ignorantes e fracos iniciamos o curso da vida. Contudo, somente a constância permitirá alçar o próximo degrau. Nele, menos pessoas terás ao seu redor.
A solitude passará a ser a companheira da jornada, pois somente aqueles que caminham consigo mesmos alcançam os patamares superiores da consciência. Não me refiro à solidão do vazio, mas à solitude daquele que aprendeu a coexistir consigo mesmo.
Muitos não conseguem suportar os barulhos do próprio íntimo. Fogem e se refugiam na multidão, onde seus ecos se dissipam na imensidão. A evolução é um caminho duro de trilhar. Por isso, muitos preferem rotas menos dolorosas e nunca alcançarão o ponto que poderiam alcançar.
A chave para a expansão da consciência gira a partir do momento em que se compreende como as engrenagens da evolução funcionam. Contudo, não mais sentirás prazer com distrações rasas das massas. A sabedoria te dá poder, mas te tira o conforto da ignorância. Quanto mais clareza, maior será o peso. Quanto maior o entendimento, maior será o fardo.
Esse é o preço inevitável do ser humano desperto.
Se queres a verdade sobre si — que somente aparece com a iluminação da consciência — prepara-te: receberás um fardo de chumbo. Sua vida não será um jardim florido, mas uma travessia austera, enquanto os ignorantes seguem encantados pelas cores da ilusão, entorpecidos pelos prazeres efêmeros e adormecidos em sua inconsciência.
O preço da lucidez é a perda do antigo encanto, pois o mundo não será mais visto com os olhos de outrora. Entendas: foi preciso que o velho encanto morresse para que o novo ser pudesse nascer.
A sabedoria não é um prêmio. É sobrevivência.
A transcendência implica isolamento existencial. Ao compreender os mecanismos ocultos que regem o mundo, perderás a capacidade de se encantar com ilusões superficiais. Essa transição não ocorre como recompensa gloriosa, mas como consequência inevitável do amadurecimento.
Não te preocupes.
Nos novos degraus encontrarás outras alegrias — mais silenciosas, mais profundas e mais verdadeiras.
Siga com fé e persistência.
As recompensas pertencem apenas aos corajosos.

